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Com dívidas e alojados em barracas, 40 trabalhadores são libertados na Bahia

Ação da Gerência Regional do Trabalho e Emprego (GRTE) de Barreiras encontrou trabalhadores sem receber salários. Entre os libertados havia um adolescente de 17 anos. Fiscais encontraram armas no local.

Quarenta trabalhadores em regime análogo ao de escravo foram libertados na fazenda MF2, em Barreiras, região oeste da Bahia. Os empregados estavam há três meses sem receber salários e eram submetidos a condições precárias de trabalho e alojamento.

O resgate foi realizado em 20 de maio pelos auditores fiscais da Gêrencia Regional do Trabalho e Emprego (GRTE) de Barreiras (BA) em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os trabalhadores foram aliciados em Luis Eduardo Magalhães, também no oeste da Bahia, para trabalhar extração de madeira virgem do Cerrado. Entre os resgatados havia um adolescente de 17 anos. A madeira extraída servia para abastecer caldeiras em Luis Eduardo Magalhães (BA).

De acordo com a superintendente regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na Bahia, Isa Maria Lelis Costa Simões, os trabalhadores não recebiam salários há três meses e possuíam dívidas com os empregadores. "Os operadores de motosserra, por exemplo, tinham dívidas acumuladas de R$ 600 pelo custo operacional das ferramentas", conta ela.

A situação dos alojamentos era precária. Eram feitos com lonas sustentadas por madeiras, e não havia camas, sanitários e área para cozinhar. De acordo com os auditores, a alimentação fornecida era insuficiente e a água, além de não ser potável, era transportada em vasilhames de lubrificantes.

O MTE ainda encontrou armas no local, mas as declarações sobre ameaça foram desencontradas. A fiscalização também não soube informar qual era a jornada de trabalho e como era o regime de folgas. O nome do proprietário da fazenda MF2 permanece sob sigilo.

Foram lavrados 13 autos de infração pelos auditores. As indenizações trabalhistas pagas aos resgatados ultrapassaram R$ 220 mil e o MPT deve entrar com ação para que os empregadores respondam pelas irregularidades. Os trabalhadores terão direito à seguro-desemprego.

Região repleta de problemas
Entre 2003 e 2009, foram flagrados 43 casos de trabalhadores em condição análoga à escravidão no Oeste da Bahia. A região, que é um espaço privilegiado para o avanço do agronegócio, vê os direitos dos trabalhadores sofrerem fortes ataques.

O caso da fazenda MF2 já é o segundo de exploração de trabalhadores no Oeste baiano noticiado em 2010. O primeiro aconteceu em São Desidério, onde, além de reincidência no trabalho escravo, até parentes dos empregadores foram explorados.

Não bastasse a exploração dos trabalhadores, a expansão do agronegócio naquela região ainda reforça a destruição do Cerrado, prejudicando a agricultura familiar e as comunidades locais.

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