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China debate manutenção de mão de obra barata

Uma série de aumentos salariais após greves em grandes multinacionais no sul da China reacendeu o debate sobre se a chamada "fábrica do mundo" está finalmente deixando de ser uma fonte de mão de obra barata.O caso mais emblemático é o da Honda. Nas últimas semanas, três greves afetaram unidades distintas da empresa, uma situação inédita nos 18 anos de presença da multinacional japonesa na China.Na primeira greve, encerrada há duas semanas em Foshan, Província de Guangdong, a Honda elevou em 24% os salários de 2.000 funcionários de sua fábrica de sistemas de transmissão.O acordo incentivou mais duas paralisações. A empresa agora enfrenta uma greve em Zhongshan, perto de Foshan, numa fábrica de autopeças na qual a prefeitura local é sócia minoritária, com 35%. Ali, os trabalhadores querem um aumento de 50%, para chegar a um teto equivalente a R$ 436, além de dormitório gratuito.Mas a Honda endureceu, aparentemente com o apoio do governo local: começou a contratar trabalhadores substitutos, ao mesmo tempo em que a imprensa estatal do sul da China deixou de noticiar a greve, não repetindo a ampla cobertura dada à paralisação de Foshan. SUICÍDIOSAlém da Honda, a taiwanesa Foxconn, que fabrica componentes para a Apple e a HP, ficou sob intensa pressão depois que ao menos dez de seus 400 mil funcionários se suicidaram neste ano.Depois de instalar redes de segurança embaixo de seus dormitórios em Shenzhen para evitar que funcionários se matassem saltando pela janela, a Foxconn dobrou salários e prometeu melhorar as condições de trabalho.Mesmo com a proibição da existência legal de sindicatos, milhares de protestos provocam o aumento salarial desde o início dos anos 1990, e as fábricas mais baratas já migraram para países como Vietnã e Camboja.A diferença é que, desta vez, os protestos envolvem grandes multinacionais e recebem uma ampla cobertura da imprensa estatal."As nações ocidentais têm regularmente criticado a China sobre direitos humanos", escreveu o analista Zhou Zixun no jornal "Global Times", do Partido Comunista."Se essas críticas são sinceras, deveriam pressionar suas empresas a usar parte dos seus lucros para cobrir os crescentes salários dos trabalhadores chineses." FILHOSNa segunda-feira, o governo chinês deu outro sinal de que apoia um aumento real dos salários, principalmente dos cerca de 130 milhões de migrantes que deixaram a zona rural em busca de empregos nas fábricas.O premiê chinês, Wen Jiabao, defendeu melhores condições aos trabalhadores migrantes chineses."Os trabalhadores rurais migrantes são o principal exército da força de trabalho contemporânea chinesa", disse. "O governo e a sociedade deveriam tratar os jovens migrantes como seus próprios filhos." DIFICULDADEPara Mary Gallagher, especialista em relações de trabalho na China da Universidade de Michigan, as fábricas já enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores do interior dispostos a enfrentar longas jornadas de trabalho em troca de baixos salários."Acho que não está claro se essa falta de trabalho nos centros manufatureiros da costa é realmente um indicativo de uma maior e mais permanente mudança nos mercados de trabalho da China."Isso se deve principalmente ao fato de que esses mercados de trabalho ainda são muito imperfeitos e segmentados", disse à Folha.

Uma série de aumentos salariais após greves em grandes multinacionais no sul da China reacendeu o debate sobre se a chamada "fábrica do mundo" está finalmente deixando de ser uma fonte de mão de obra barata.
O caso mais emblemático é o da Honda. Nas últimas semanas, três greves afetaram unidades distintas da empresa, uma situação inédita nos 18 anos de presença da multinacional japonesa na China.
Na primeira greve, encerrada há duas semanas em Foshan, Província de Guangdong, a Honda elevou em 24% os salários de 2.000 funcionários de sua fábrica de sistemas de transmissão.
O acordo incentivou mais duas paralisações. A empresa agora enfrenta uma greve em Zhongshan, perto de Foshan, numa fábrica de autopeças na qual a prefeitura local é sócia minoritária, com 35%. Ali, os trabalhadores querem um aumento de 50%, para chegar a um teto equivalente a R$ 436, além de dormitório gratuito.
Mas a Honda endureceu, aparentemente com o apoio do governo local: começou a contratar trabalhadores substitutos, ao mesmo tempo em que a imprensa estatal do sul da China deixou de noticiar a greve, não repetindo a ampla cobertura dada à paralisação de Foshan.

SUICÍDIOS
Além da Honda, a taiwanesa Foxconn, que fabrica componentes para a Apple e a HP, ficou sob intensa pressão depois que ao menos dez de seus 400 mil funcionários se suicidaram neste ano.
Depois de instalar redes de segurança embaixo de seus dormitórios em Shenzhen para evitar que funcionários se matassem saltando pela janela, a Foxconn dobrou salários e prometeu melhorar as condições de trabalho.
Mesmo com a proibição da existência legal de sindicatos, milhares de protestos provocam o aumento salarial desde o início dos anos 1990, e as fábricas mais baratas já migraram para países como Vietnã e Camboja.
A diferença é que, desta vez, os protestos envolvem grandes multinacionais e recebem uma ampla cobertura da imprensa estatal.
"As nações ocidentais têm regularmente criticado a China sobre direitos humanos", escreveu o analista Zhou Zixun no jornal "Global Times", do Partido Comunista.
"Se essas críticas são sinceras, deveriam pressionar suas empresas a usar parte dos seus lucros para cobrir os crescentes salários dos trabalhadores chineses."

FILHOS
Na segunda-feira, o governo chinês deu outro sinal de que apoia um aumento real dos salários, principalmente dos cerca de 130 milhões de migrantes que deixaram a zona rural em busca de empregos nas fábricas.
O premiê chinês, Wen Jiabao, defendeu melhores condições aos trabalhadores migrantes chineses.
"Os trabalhadores rurais migrantes são o principal exército da força de trabalho contemporânea chinesa", disse. "O governo e a sociedade deveriam tratar os jovens migrantes como seus próprios filhos."

DIFICULDADE
Para Mary Gallagher, especialista em relações de trabalho na China da Universidade de Michigan, as fábricas já enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores do interior dispostos a enfrentar longas jornadas de trabalho em troca de baixos salários.
"Acho que não está claro se essa falta de trabalho nos centros manufatureiros da costa é realmente um indicativo de uma maior e mais permanente mudança nos mercados de trabalho da China."
Isso se deve principalmente ao fato de que esses mercados de trabalho ainda são muito imperfeitos e segmentados", disse à Folha.


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