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União de Citrosuco e Citrovita preocupa produtor de laranja

"A concentração não produz nenhuma vantagem para o citricultor", diz ViegasA Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), com sede em Bebedouro, no interior de São Paulo, promete resistir o quanto puder à fusão entre Citrosuco e Citrovita, duas das quatro maiores exportadoras de suco de laranja do país. Anunciada na sexta-feira pelos grupos Fischer e Votorantim, seus respectivos controladores, a união resultará em uma nova líder global do segmento, com faturamento anual estimado em R$ 2 bilhões. "A concentração [das indústrias de suco] não produz nenhuma vantagem para o citricultor. Tem sido assim desde que a concentração começou, ainda na década de 80. E foi assim quando a [americana] Cargill saiu da atividade no país [em 2004]", afirma Flávio Viegas, presidente da Associtrus. Ao deixar o negócio, a Cargill vendeu suas fábricas de suco de laranja no interior paulista para suas principais concorrentes. Segundo Viegas, a unidade de Bebedouro foi fechada pelo Citrosuco logo que expirou o acordado prazo de cinco anos durante o qual ela deveria continuar rodando. Já a unidade de Uchôa, que estava praticamente desativada quando foi comprada pela Cutrale, continua a operar em ritmo bem menor do que no auge. Considerando a fábrica de Bebedouro que está fechada, Citrosuco e Citrovita contam, cada uma, com três unidades em São Paulo, Estado que reúne o principal parque citrícola do planeta. Cada empresa tem uma unidade em Matão, e Viegas está particularmente preocupado com o futuro dessas plantas. A da Citrosuco é a maior do gênero no mundo, mas é mais antiga. Resta esperar que a complementaridade das atividades das empresas reserve a unidade da Citrosuco à produção do suco não congelado (NFC), cuja demanda internacional é crescente, e a da Citrovita, ao tradicional suco de laranja concentrado (FCOJ), já que o braço do grupo Votorantim não fabrica o NFC. Como Viegas não pode esperar essa e outras definições das indústrias, pedirá uma audiência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para tratar da fusão. A Associtrus já acompanha de perto a investigação federal que apura uma suposta formação de cartel entre as grandes empresas. No processo, Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Louis Dreyfus, que dominam as exportações brasileiras de suco de laranja, são acusadas de oligopsônio na compra da fruta de fornecedores independentes com o objetivo de "segurar" os preços. Em média, as quatro empresas de suco alimentam sua demanda de laranja com fazendas próprias, fornecedores independentes mantidos com contratos de entrega de longo prazo e mercado spot. São históricas as divergências entre indústrias e fornecedores independentes nas renegociações de contratos. Não é diferente nesta safra 2010/11, cuja colheita já começou em São Paulo e que deverá render 286 milhões de caixas de 40,8 quilos da fruta, segundo prevê a Cutrale. No dia 20, conforme Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga e da mesa diretora de citricultura da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), a fusão entre Citrosuco e Citrovita também será debatida em reunião ordinária da Câmara Setorial da Citricultura, em Brasília. "Fusões desse tipo são inevitáveis, acontecem em qualquer lugar. Mas precisaremos encontrar um entendimento", diz Santos. No dia 25, os produtores esperam ter uma reunião sobre as consequências da união com o Secretário da Agricultura de São Paulo, João Sampaio. Nesse encontro, o processo do Ministério Público do Trabalho que devolve às indústrias a obrigação de colher a laranja, mesmo em propriedades de terceiros, também estará em pauta.

"A concentração não produz nenhuma vantagem para o citricultor", diz Viegas
A Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), com sede em Bebedouro, no interior de São Paulo, promete resistir o quanto puder à fusão entre Citrosuco e Citrovita, duas das quatro maiores exportadoras de suco de laranja do país. Anunciada na sexta-feira pelos grupos Fischer e Votorantim, seus respectivos controladores, a união resultará em uma nova líder global do segmento, com faturamento anual estimado em R$ 2 bilhões.

"A concentração [das indústrias de suco] não produz nenhuma vantagem para o citricultor. Tem sido assim desde que a concentração começou, ainda na década de 80. E foi assim quando a [americana] Cargill saiu da atividade no país [em 2004]", afirma Flávio Viegas, presidente da Associtrus. Ao deixar o negócio, a Cargill vendeu suas fábricas de suco de laranja no interior paulista para suas principais concorrentes.

Segundo Viegas, a unidade de Bebedouro foi fechada pelo Citrosuco logo que expirou o acordado prazo de cinco anos durante o qual ela deveria continuar rodando. Já a unidade de Uchôa, que estava praticamente desativada quando foi comprada pela Cutrale, continua a operar em ritmo bem menor do que no auge.

Considerando a fábrica de Bebedouro que está fechada, Citrosuco e Citrovita contam, cada uma, com três unidades em São Paulo, Estado que reúne o principal parque citrícola do planeta. Cada empresa tem uma unidade em Matão, e Viegas está particularmente preocupado com o futuro dessas plantas. A da Citrosuco é a maior do gênero no mundo, mas é mais antiga.

Resta esperar que a complementaridade das atividades das empresas reserve a unidade da Citrosuco à produção do suco não congelado (NFC), cuja demanda internacional é crescente, e a da Citrovita, ao tradicional suco de laranja concentrado (FCOJ), já que o braço do grupo Votorantim não fabrica o NFC.

Como Viegas não pode esperar essa e outras definições das indústrias, pedirá uma audiência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para tratar da fusão. A Associtrus já acompanha de perto a investigação federal que apura uma suposta formação de cartel entre as grandes empresas. No processo, Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Louis Dreyfus, que dominam as exportações brasileiras de suco de laranja, são acusadas de oligopsônio na compra da fruta de fornecedores independentes com o objetivo de "segurar" os preços.

Em média, as quatro empresas de suco alimentam sua demanda de laranja com fazendas próprias, fornecedores independentes mantidos com contratos de entrega de longo prazo e mercado spot. São históricas as divergências entre indústrias e fornecedores independentes nas renegociações de contratos. Não é diferente nesta safra 2010/11, cuja colheita já começou em São Paulo e que deverá render 286 milhões de caixas de 40,8 quilos da fruta, segundo prevê a Cutrale.

No dia 20, conforme Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga e da mesa diretora de citricultura da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), a fusão entre Citrosuco e Citrovita também será debatida em reunião ordinária da Câmara Setorial da Citricultura, em Brasília.

"Fusões desse tipo são inevitáveis, acontecem em qualquer lugar. Mas precisaremos encontrar um entendimento", diz Santos. No dia 25, os produtores esperam ter uma reunião sobre as consequências da união com o Secretário da Agricultura de São Paulo, João Sampaio. Nesse encontro, o processo do Ministério Público do Trabalho que devolve às indústrias a obrigação de colher a laranja, mesmo em propriedades de terceiros, também estará em pauta.


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