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Ribeirão enquadrada

Trabalho escravo ligado à cana-de-açúcar e contaminação do solo por postos de combustíveis. Esses são os problemas existentes em Ribeirão Preto apontados no Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, estudo feito pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), que reuniu denúncias sobre 300 problemas ambientais mapeados em todo o País. Segundo com o coordenador-geral da Ensp, Marcelo Firpo, o objetivo foi o de produzir um sistema de informação aberto para a população e para o Ministério da Saúde, para que os problemas não se agravem. A consulta das cidades pode ser feita por meio de um site, que contém um mapa com um sistema georreferenciado de buscas vinculado ao Google Earth. Assim, qualquer pessoa pode ter acesso aos detalhes da situação considerada de injustiça ambiental, em qualquer Estado ou cidade. O levantamento de dados teve início em 2006 e foi finalizado no ano passado. Com relação à cana, o estudo aponta uma relação com o trabalho escravo e danos como acidentes, doenças transmissíveis, falta de atendimento médico, piora na qualidade de vida e três tipos de violência: ameaça, coação física, lesão corporal e assassinato. A relatora Candida da Costa, do Comitê de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais, visitou as cidades da região e encontrou trabalhadores sem água potável, ambulância e equipamentos de primeiros socorros, morando em alojamentos em condições precárias. CONTAMINAÇÕES. O relatório também apontou que postos de combustíveis são grandes responsáveis pela contaminação do solo, expondo as pessoas a risco de contaminação. Baseado em levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), do total de 150 postos em Ribeirão, 20 estavam irregulares. Um deles, que já se regularizou, fica no bairro Jardim Paulista. "Nós compramos o posto e reformamos, há quatro meses. Está tudo regularizado", afirmou o gerente Roni Fernandes Guerreiro. "Estudo é uma confusão" O diretor de comunicação corporativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Adhemar Altieri, criticou o estudo. "São utilizados dados defasados, com uma construção de texto dúbia. Chega a ser irresponsável a Fiocruz fazer generalizações tão grosseiras", afirmou. Segundo Altieri, os responsáveis pelo estudo se basearam em fatos isolados de autuações e problemas em alojamentos. A Unica não foi procurada para disponibilizar dados que fossem precisos. "Infelizmente, (o estudo) é uma confusão que não tem foco, não tem know-how nenhum e é totalmente repudiado pelo setor", afirmou. A assessoria de imprensa da Fiocruz foi procurada para comentar as acusações no início da noite de ontem, mas ninguém foi encontrado. (GY) GABRIELA YAMADA

Trabalho escravo ligado à cana-de-açúcar e contaminação do solo por postos de combustíveis. Esses são os problemas existentes em Ribeirão Preto apontados no Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, estudo feito pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), que reuniu denúncias sobre 300 problemas ambientais mapeados em todo o País.

Segundo com o coordenador-geral da Ensp, Marcelo Firpo, o objetivo foi o de produzir um sistema de informação aberto para a população e para o Ministério da Saúde, para que os problemas não se agravem. A consulta das cidades pode ser feita por meio de um site, que contém um mapa com um sistema georreferenciado de buscas vinculado ao Google Earth. Assim, qualquer pessoa pode ter acesso aos detalhes da situação considerada de injustiça ambiental, em qualquer Estado ou cidade. O levantamento de dados teve início em 2006 e foi finalizado no ano passado.

Com relação à cana, o estudo aponta uma relação com o trabalho escravo e danos como acidentes, doenças transmissíveis, falta de atendimento médico, piora na qualidade de vida e três tipos de violência: ameaça, coação física, lesão corporal e assassinato. A relatora Candida da Costa, do Comitê de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais, visitou as cidades da região e encontrou trabalhadores sem água potável, ambulância e equipamentos de primeiros socorros, morando em alojamentos em condições precárias.

CONTAMINAÇÕES. O relatório também apontou que postos de combustíveis são grandes responsáveis pela contaminação do solo, expondo as pessoas a risco de contaminação. Baseado em levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), do total de 150 postos em Ribeirão, 20 estavam irregulares. Um deles, que já se regularizou, fica no bairro Jardim Paulista. "Nós compramos o posto e reformamos, há quatro meses. Está tudo regularizado", afirmou o gerente Roni Fernandes Guerreiro.

"Estudo é uma confusão"

O diretor de comunicação corporativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Adhemar Altieri, criticou o estudo. "São utilizados dados defasados, com uma construção de texto dúbia. Chega a ser irresponsável a Fiocruz fazer generalizações tão grosseiras", afirmou. Segundo Altieri, os responsáveis pelo estudo se basearam em fatos isolados de autuações e problemas em alojamentos. A Unica não foi procurada para disponibilizar dados que fossem precisos. "Infelizmente, (o estudo) é uma confusão que não tem foco, não tem know-how nenhum e é totalmente repudiado pelo setor", afirmou. A assessoria de imprensa da Fiocruz foi procurada para comentar as acusações no início da noite de ontem, mas ninguém foi encontrado. (GY)

GABRIELA YAMADA


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