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Produção de biocombustíveis pode levar pecuária a desmatar, diz estudo

Um novo estudo indica que a intenção do Brasil de diminuir a emissão de gases do efeito estufa, incentivando a produção de biocombustíveis, em substituição ao petróleo, pode aumentar o desmatamento. As informações são da Folha de São Paulo. Segundo o jornal, a pesquisa informa que, caso a atual tendência de mudanças no uso da terra continue, plantações de cana-de-açúcar e soja tomarão o lugar de pastagens, e essas serão empurradas para áreas de floresta, desmatando e emitindo carbono. O ecólogo paulista David Lapola, da Universidade de Kassel (Alemanha), é autor principal do estudo publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Para ele e os coautores da pesquisa, se o Brasil atingir sua meta de, até 2020, aumentar em 35 bilhões de litros a produção de álcool e em quatro bilhões de litros a de biodiesel de soja, essas duas culturas deslocarão as pastagens para cerca de 60 mil km² de floresta, desmatando uma área maior do que a do Estado da Paraíba. De acordo com os cientistas, a troca de petróleo por biocombustível levaria 250 anos para compensar as emissões desse desmatamento. "Identificamos quais seriam as mudanças diretas de uso da terra, e a maioria era biocombustível tomando lugar de pasto. As mudanças indiretas eram o gado que estava naquele espaço sendo realocado a outras regiões, sobretudo Amazônia e Cerrado", explicou Lapola à Folha. Para o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, especialista em política energética e membro do conselho editorial da Folha, o artigo busca "assegurar que na distribuição internacional do trabalho [agricultura] o Brasil se mantenha como produtor de alimento barato". Lapola explica que seu trabalho deve ser visto como um dado a partir do qual planejar ação. Segundo ele, se a produtividade do gado tiver um pequeno aumento de intensidade- de 0,09 cabeças por hectare para 0,13- o problema poderia ser contornado. A recuperação de pastos degradados e abandonados também ajudaria. "Muitos subsídios hoje vão para aquisição de animais, manutenção da infraestrutura e várias outras coisas, mas pouco vai para incentivar o aumento da intensidade da criação ou a recuperação das pastagens degradadas", cobra ações do governo para fomento à produção intensiva. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, disse à Folha que essas mudanças já estão acontecendo. "Nos últimos 20 anos a área de pastagem diminuiu, e a produção de carne aumentou."    

Um novo estudo indica que a intenção do Brasil de diminuir a emissão de gases do efeito estufa, incentivando a produção de biocombustíveis, em substituição ao petróleo, pode aumentar o desmatamento. As informações são da Folha de São Paulo.

Segundo o jornal, a pesquisa informa que, caso a atual tendência de mudanças no uso da terra continue, plantações de cana-de-açúcar e soja tomarão o lugar de pastagens, e essas serão empurradas para áreas de floresta, desmatando e emitindo carbono.

O ecólogo paulista David Lapola, da Universidade de Kassel (Alemanha), é autor principal do estudo publicado na edição de hoje da revista "PNAS".

Para ele e os coautores da pesquisa, se o Brasil atingir sua meta de, até 2020, aumentar em 35 bilhões de litros a produção de álcool e em quatro bilhões de litros a de biodiesel de soja, essas duas culturas deslocarão as pastagens para cerca de 60 mil km² de floresta, desmatando uma área maior do que a do Estado da Paraíba. De acordo com os cientistas, a troca de petróleo por biocombustível levaria 250 anos para compensar as emissões desse desmatamento.

"Identificamos quais seriam as mudanças diretas de uso da terra, e a maioria era biocombustível tomando lugar de pasto. As mudanças indiretas eram o gado que estava naquele espaço sendo realocado a outras regiões, sobretudo Amazônia e Cerrado", explicou Lapola à Folha.

Para o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, especialista em política energética e membro do conselho editorial da Folha, o artigo busca "assegurar que na distribuição internacional do trabalho [agricultura] o Brasil se mantenha como produtor de alimento barato".

Lapola explica que seu trabalho deve ser visto como um dado a partir do qual planejar ação. Segundo ele, se a produtividade do gado tiver um pequeno aumento de intensidade- de 0,09 cabeças por hectare para 0,13- o problema poderia ser contornado. A recuperação de pastos degradados e abandonados também ajudaria.

"Muitos subsídios hoje vão para aquisição de animais, manutenção da infraestrutura e várias outras coisas, mas pouco vai para incentivar o aumento da intensidade da criação ou a recuperação das pastagens degradadas", cobra ações do governo para fomento à produção intensiva.

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, disse à Folha que essas mudanças já estão acontecendo. "Nos últimos 20 anos a área de pastagem diminuiu, e a produção de carne aumentou."

 

 


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