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MPF denuncia bolivianos que exploravam compatriotas em SP

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou na segunda-feira três bolivianos acusados de explorarem compatriotas em condições parecidas às de escravos em três oficinas de costura no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo. De acordo com o MPF, os bolivianos, que foram presos em flagrante em uma operação da Polícia Civil no dia 4 de novembro, foram soltos dois dias depois por decisão da Justiça Federal e são acusados também pelos crimes de formação de quadrilha, ocultação de estrangeiro irregular e frustração de direitos trabalhistas. Marmeto Maximo Quispe também é acusado pelo crime de introdução clandestina de estrangeiro. O MPF colheu depoimentos e provas materiais indicando que Maximo, como é conhecido o dono de umas oficinas, pagou R$ 4,8 mil por meio da fronteira seca com o Paraguai. Os outros dois acusados são Cristobal Alanoca Mamani e Luis Apaza Mamani. Segundo a denúncia, Maximo, Cristobal e Luis seriam os donos das oficinas. Nelas trabalhavam dezenas de bolivianos, sendo que um grupo fugiu do local em outubro e denunciou o ocorrido à várias autoridades, entre elas a Polícia Civil e o Ministério Público Federal em São Paulo. As vítimas afirmaram ao MPF que foram empregados em La Paz por um brasileiro que vive na Bolívia para trabalhar como costureiros em São Paulo, mediante salário de US$ 250 mensais. Ao chegar aqui, os trabalhadores foram informados que ganhariam por peça costurada e que, do salário, seriam descontados os custos com a passagem, pois a viagem de cada um deles teria custado R$ 4,8 mil aos donos das oficinas, além da alimentação e a hospedagem. Ou seja, trabalhavam "sem descanso, como se máquinas fossem, em ambiente insalubre", como afirmou a procuradora da República Cristiane Bacha Canzian Casagrande, responsável pelo caso. Para dificultarem a descoberta das oficinas pelas autoridades, Maximo, Luis e Cristobal cobriam as janelas e mantinham o local fechado a chave. Como as testemunhas são bolivianas em situação irregular e podem ser extraditadas ou deixar o País a qualquer momento e dizem ter sido ameaçadas pelos acusados, que estão soltos, o Ministério Público Federal pediu, no último dia 18 de novembro, a antecipação dos depoimentos em juízo de treze vítimas de trabalho escravo, mas o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal, responsável pelo caso, negou a produção antecipada de provas. O MPF reiterou o pedido ao oferecer a denúncia. 01/12/2009

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou na segunda-feira três bolivianos acusados de explorarem compatriotas em condições parecidas às de escravos em três oficinas de costura no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo.

De acordo com o MPF, os bolivianos, que foram presos em flagrante em uma operação da Polícia Civil no dia 4 de novembro, foram soltos dois dias depois por decisão da Justiça Federal e são acusados também pelos crimes de formação de quadrilha, ocultação de estrangeiro irregular e frustração de direitos trabalhistas.

Marmeto Maximo Quispe também é acusado pelo crime de introdução clandestina de estrangeiro. O MPF colheu depoimentos e provas materiais indicando que Maximo, como é conhecido o dono de umas oficinas, pagou R$ 4,8 mil por meio da fronteira seca com o Paraguai.

Os outros dois acusados são Cristobal Alanoca Mamani e Luis Apaza Mamani. Segundo a denúncia, Maximo, Cristobal e Luis seriam os donos das oficinas. Nelas trabalhavam dezenas de bolivianos, sendo que um grupo fugiu do local em outubro e denunciou o ocorrido à várias autoridades, entre elas a Polícia Civil e o Ministério Público Federal em São Paulo.

As vítimas afirmaram ao MPF que foram empregados em La Paz por um brasileiro que vive na Bolívia para trabalhar como costureiros em São Paulo, mediante salário de US$ 250 mensais.

Ao chegar aqui, os trabalhadores foram informados que ganhariam por peça costurada e que, do salário, seriam descontados os custos com a passagem, pois a viagem de cada um deles teria custado R$ 4,8 mil aos donos das oficinas, além da alimentação e a hospedagem. Ou seja, trabalhavam "sem descanso, como se máquinas fossem, em ambiente insalubre", como afirmou a procuradora da República Cristiane Bacha Canzian Casagrande, responsável pelo caso.

Para dificultarem a descoberta das oficinas pelas autoridades, Maximo, Luis e Cristobal cobriam as janelas e mantinham o local fechado a chave.

Como as testemunhas são bolivianas em situação irregular e podem ser extraditadas ou deixar o País a qualquer momento e dizem ter sido ameaçadas pelos acusados, que estão soltos, o Ministério Público Federal pediu, no último dia 18 de novembro, a antecipação dos depoimentos em juízo de treze vítimas de trabalho escravo, mas o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal, responsável pelo caso, negou a produção antecipada de provas. O MPF reiterou o pedido ao oferecer a denúncia.

01/12/2009


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