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Violência no campo aumentou em 2008, aponta levantamento da CPT

A violência no campo aumentou em 2008 apesar da redução no número de conflitos. Enquanto, em 2007, a contabilidade dos confrontos agrários era de uma morte para cada 54 conflitos, em 2008 foi de uma para 42 episódios. O dado faz parte de levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que será divulgado no próximo dia 28. "Dois mil e oito foi um ano muito mais violento que 2007. Proporcionalmente, o número de mortos tem aumentado. Ano passado houve menos ocorrências, mas foi mantido o número de assassinatos", adiantou o integrante da coordenação nacional da CPT, Dirceu Fumagalli. De acordo com o levantamento, 28 pessoas foram mortas em conflitos no campo em 2008. Mais de 70% dos assassinatos ocorreram em estados da Amazônia Legal. Segundo Fumagalli, o Pará manteve a liderança no ranking. "No Pará, a violência no campo em 2008 triplicou em relação a 2007. O estado continua campeão em todos os indicadores: assassinatos, despejos, ameaças", listou. Rio Grande do Sul e estados do Nordeste, principalmente a Bahia, também apresentaram indicadores preocupantes, segundo a CPT. Na avaliação de Fumagalli, o crescimento da violência no campo verificado entre 2007 e 2008 poderá se confirmar como uma tendência caso a reforma agrária não avance no país. Segundo o coordenador da CPT, um dos fatores que justifica o endurecimento dos conflitos é a impunidade para os que cometem ou encomendam os crimes. "A impunidade é o que mais motiva e fomenta a violência no campo. Por exemplo, enquanto o Bida [acusado de mandar matar a missionária norte-americana Dorothy Stang] estava preso em 2007, os fazendeiros ficaram acomodados, houve simplesmente uma pressão em cima dos trabalhadores. Com a liberação do mandante, em 2008, os fazendeiros voltaram a toda", comparou. Fumagalli avaliou o conflito entre seguranças particulares e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Xinguara (PA), que deixou pelo menos sete feridos no último sábado (18), como mais um exemplo da urgência de avanços nas políticas de reforma agrária. "Infelizmente a gente não tem visto avanço em resolver o conflito no campo. O que aconteceu no Pará vai continuar acontecendo lá, na Bahia, no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul enquanto o Estado brasileiro não cumprir o que diz Constituição." O levantamento completo da CPT será lançado na próxima terça-feira (28) durante a 47ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O relatório também vai apontar outras estatísticas da violência no campo, como o número de ameaçados de morte, tentativas de assassinato, expulsões, despejos judiciais, ocupações e trabalho escravo.

A violência no campo aumentou em 2008 apesar da redução no número de conflitos. Enquanto, em 2007, a contabilidade dos confrontos agrários era de uma morte para cada 54 conflitos, em 2008 foi de uma para 42 episódios. O dado faz parte de levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que será divulgado no próximo dia 28.

"Dois mil e oito foi um ano muito mais violento que 2007. Proporcionalmente, o número de mortos tem aumentado. Ano passado houve menos ocorrências, mas foi mantido o número de assassinatos", adiantou o integrante da coordenação nacional da CPT, Dirceu Fumagalli.

De acordo com o levantamento, 28 pessoas foram mortas em conflitos no campo em 2008. Mais de 70% dos assassinatos ocorreram em estados da Amazônia Legal.

Segundo Fumagalli, o Pará manteve a liderança no ranking. "No Pará, a violência no campo em 2008 triplicou em relação a 2007. O estado continua campeão em todos os indicadores: assassinatos, despejos, ameaças", listou.

Rio Grande do Sul e estados do Nordeste, principalmente a Bahia, também apresentaram indicadores preocupantes, segundo a CPT.

Na avaliação de Fumagalli, o crescimento da violência no campo verificado entre 2007 e 2008 poderá se confirmar como uma tendência caso a reforma agrária não avance no país. Segundo o coordenador da CPT, um dos fatores que justifica o endurecimento dos conflitos é a impunidade para os que cometem ou encomendam os crimes.

"A impunidade é o que mais motiva e fomenta a violência no campo. Por exemplo, enquanto o Bida [acusado de mandar matar a missionária norte-americana Dorothy Stang] estava preso em 2007, os fazendeiros ficaram acomodados, houve simplesmente uma pressão em cima dos trabalhadores. Com a liberação do mandante, em 2008, os fazendeiros voltaram a toda", comparou.

Fumagalli avaliou o conflito entre seguranças particulares e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Xinguara (PA), que deixou pelo menos sete feridos no último sábado (18), como mais um exemplo da urgência de avanços nas políticas de reforma agrária.

"Infelizmente a gente não tem visto avanço em resolver o conflito no campo. O que aconteceu no Pará vai continuar acontecendo lá, na Bahia, no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul enquanto o Estado brasileiro não cumprir o que diz Constituição."

O levantamento completo da CPT será lançado na próxima terça-feira (28) durante a 47ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O relatório também vai apontar outras estatísticas da violência no campo, como o número de ameaçados de morte, tentativas de assassinato, expulsões, despejos judiciais, ocupações e trabalho escravo.


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