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Trabalhadores são libertados em área de milho, soja e algodão

As vítimas foram libertadas graças à denúncia de um trabalhador que conseguiu fugir. Os empregados eram submetidos à servidão por dívida e viviam em alojamentos precários, sem acesso a água potável ou instalações sanitárias

Um trabalhador conseguiu fugir da fazenda em que era submetido à escravidão, no município de Correntina (BA), e chegar até a Gerência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego de Barreiras para denunciar a situação em que ele e mais 14 colegas estavam.

Segundo Norma Pereira, superintendente da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da Bahia (SRTE/BA), foi uma fiscalização emergencial que resultou na libertação dos 14 trabalhadores. Dois auditores fiscais que estavam de plantão foram acompanhados de agentes da Polícia Federal (PF) até o local, na região Oeste do estado, a cerca de 800 quilômetros de Salvador. "A ação aconteceu sem a presença de representante do Ministério Público do Trabalho (MPT) por conta da urgência do caso", informou Norma.

Alojamento onde os trabalhadores libertados dormiam (Foto:MTE)

Na fazenda, os fiscais verificaram que os empregados estavam submetidos ao trabalho análogo ao de escravo. Os funcionários dormiam no chão, em barracas de lona. No local não havia instalações sanitárias ou elétricas. A comida fornecida pelo empregador se restringia apenas a arroz com caldo de feijão.

A fiscalização também constatou servidão por dívida: as vítimas eram obrigadas a comprar as ferramentas de trabalho do próprio empregador (que deveriam ser fornecidas gratuitamente), que depois descontava diretamente dos salários o valor das compras.

Outra irregularidade encontrada foi a jornada exaustiva. Os empregados não tinham folga semanal, o trabalho era de domingo a domingo, com início às 6 horas da manhã e fim às 18 horas. As vítimas eram responsáveis pela produção de milho, soja e algodão da propriedade, recebendo um pagamento semanal que girava em torno de R$ 25,00 a 35,00 por pessoa. Nenhum empregado tinha sua Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CPTS) assinada pelo patrão.

O grupo foi aliciado por um "gato" (intermediário de contratação a serviço do fazendeiro) em São Domingo (GO), na fronteira com a Bahia, há cerca de dois meses. Dois trabalhadores eram do Piauí, mas estavam em São Domingos em busca de trabalho.

A operação começou no dia 19 e foi concluída nesta segunda-feira (23), com o fechamento de todos os autos de infração e pagamento das verbas rescisórias, que chegaram a R$ 22,4 mil. As vítimas vão receber o Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado (três parcelas mensais de um salário mínimo) e já retornaram para suas cidades de origem, tendo as passagens custeadas pelo empregador. A superintendente não quis revelar o nome da fazenda, nem seu proprietário.


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5 Comentários

  1. pedro valverde lopes

    fiquei feliz em saber que.esses trabalhadores saiu deu sofrimento pois, tambem sou trabalhador e ja passei por isso,e gostaria que fosse sempre assim essas atitudes.obrigado…

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  2. Solismar Venzke Filho

    Noticias como essas são degradantes. Faz mais efeito que 1000 notícias benéficas ao agronegocio brasileiro. Seremos acusados pela gringos de produzir alimentos baratos não pela eficiência técnica mas pela mão de obra escrava ou anti-social. Essa mudança tem que partir dos próprios produtores-empresariais em fiscalizar seus pares em termos de atividade social. O vizinho sempre sabe o que se passa na fazenda ao lado. Isso é uma QUESTÃO DE SOBREVIVENCIA PARA A CLASSE. Amanhã quando o produto (soja,algodão) produzido não tiver mais mercado ou será taxado não adianta chorar o leite derramado. Obrigado pelo estaço.

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  3. Aloisio

    Sim degradante,mas enquanto não se punurem também os”gatos” e capatazes além do fazendeiro tais situações irão continuar.Punir com prisão pois quem cumpre ordem absurda e desumana é co-responsável pelo crime em menor grau mas é,ou seriam também “Dimenor”?

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  4. werbeth ribeiro dos inocentes

    é muito triste saber desta situação caso como este acontece na fazenda colorado na cidade de sapucaia o mte ja tve presente mas nao intimidou o fazendeiro que ainda hoje tm inrgularidade por la acredito que devem refazer materia na quela regiao para coibir situação de dificil humanidade de tabalhos escravos.

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  5. ANDREZA MACHADO

    Uma vergonha para um país que tem tudo para se desenvolver! Vivemos na “escravidão”, ela ainda não foi abolida. Quanto ao proprietário da fazenda, deveria fazer o mesmo com ele.
    “Pimenta só arde nos olhos dos outros”.

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