A Repórter Brasil está sob censura judicial desde o dia 9 de outubro de 2015. Saiba mais.

Goiás e Alagoas têm maior número de trabalhadores escravos resgatados este ano

Brasília – Em 2008 foram identificados 867 trabalhadores escravos em sete fazendas do estado de Goiás, o maior número nacional. Os dados foram divulgados hoje (13) pelo Ministério de Trabalho e Emprego (MTE), durante reunião da Subcomissão Temporária de Combate ao Trabalho Escravo, que integra a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado. Alagoas teve o segundo maior número de trabalhadores escravos resgatados este ano: foram 656, em três fazendas. A chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do MTE, Giuliana Cassiano, atribuiu esses números ao crescimento da produção de cana-de-açúcar nos dois estados. "Alagoas, por exemplo, não teve registro do problema em 2007 e neste ano está em segundo lugar." A presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Rosa Maria Campos Jorge, disse que, além de incentivar o biodiesel, o governo precisa de um controle mais rígido das condições do trabalhador. "As plantações de cana-de-açúcar têm tido um grande número de trabalhadores escravos. O biodiesel é considerado um combustível limpo, mas deve ser limpo também nas suas relações de trabalho." O estado do Pará, em função da fronteira agrícola, do extrativismo e das carvoarias, permanece com os piores índices totais. Apesar de aparecer em terceiro lugar com 592 trabalhadores escravos libertados, neste ano, somam-se, ainda, 725 trabalhadores que foram encontrados sem registro e em más condições de trabalho, totalizando 1317 trabalhadores. Na reunião, foi discutido o 2º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, produzido pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. O plano, com 66 metas, estabelece ações de enfrentamento, repressão e prevenção, reinserção e capacitação dos trabalhadores libertados. "Esse plano tem ênfase na prevenção e reinserção das pessoas libertadas. A idéia é fechar a porta de entrada para que pessoas não sejam aliciadas e para que não sejam recolocadas as que foram resgatadas", explicou José Guerra, assessor da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. O procurador do Trabalho e coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho, Jonas Moreno, reforçou a necessidade de se viabilizarem formas alternativas de trabalho para as pessoas libertadas. "Precisamos de políticas governamentais de prevenção e reinserção. Estamos falando de impunidade, de miséria e de trabalhadores sem formação educacional que são retidos por dívidas, moram em barracos de lona e são obrigados a beber a mesma água servida ao gado. Isto precisa mudar." Lisiane Wandscheer13/11/2008

Brasília – Em 2008 foram identificados 867 trabalhadores escravos em sete fazendas do estado de Goiás, o maior número nacional. Os dados foram divulgados hoje (13) pelo Ministério de Trabalho e Emprego (MTE), durante reunião da Subcomissão Temporária de Combate ao Trabalho Escravo, que integra a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado.

Alagoas teve o segundo maior número de trabalhadores escravos resgatados este ano: foram 656, em três fazendas.

A chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do MTE, Giuliana Cassiano, atribuiu esses números ao crescimento da produção de cana-de-açúcar nos dois estados. "Alagoas, por exemplo, não teve registro do problema em 2007 e neste ano está em segundo lugar."

A presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Rosa Maria Campos Jorge, disse que, além de incentivar o biodiesel, o governo precisa de um controle mais rígido das condições do trabalhador. "As plantações de cana-de-açúcar têm tido um grande número de trabalhadores escravos. O biodiesel é considerado um combustível limpo, mas deve ser limpo também nas suas relações de trabalho."

O estado do Pará, em função da fronteira agrícola, do extrativismo e das carvoarias, permanece com os piores índices totais. Apesar de aparecer em terceiro lugar com 592 trabalhadores escravos libertados, neste ano, somam-se, ainda, 725 trabalhadores que foram encontrados sem registro e em más condições de trabalho, totalizando 1317 trabalhadores.

Na reunião, foi discutido o 2º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, produzido pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. O plano, com 66 metas, estabelece ações de enfrentamento, repressão e prevenção, reinserção e capacitação dos trabalhadores libertados.

"Esse plano tem ênfase na prevenção e reinserção das pessoas libertadas. A idéia é fechar a porta de entrada para que pessoas não sejam aliciadas e para que não sejam recolocadas as que foram resgatadas", explicou José Guerra, assessor da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

O procurador do Trabalho e coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho, Jonas Moreno, reforçou a necessidade de se viabilizarem formas alternativas de trabalho para as pessoas libertadas. "Precisamos de políticas governamentais de prevenção e reinserção. Estamos falando de impunidade, de miséria e de trabalhadores sem formação educacional que são retidos por dívidas, moram em barracos de lona e são obrigados a beber a mesma água servida ao gado. Isto precisa mudar."

Lisiane Wandscheer
13/11/2008


Apoie a Repórter Brasil

saiba como

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *