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Trabalhadores são resgatados de área de manejo florestal

Fiscais encontraram empregados alojados em barraca de lona e em casa precária. Dona da propriedade, que tinha autorização para produzir carvão vegetal, arrendou fazenda para empresa que utilizava "gatos" para aliciamento

Trabalhadores alojados em barracas de lona preta, bebendo água de um açude, sem equipamentos de proteção individual (EPIs) para as atividades de desmatamento e produção de carvão vegetal. Um conjunto de irregularidades caracterizava a situação das 51 pessoas resgatadas pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) da Fazenda Tabuleiro, em Parambu (CE), a 475 Km de Fortaleza.

A Fazenda Tabuleiro é uma área de manejo florestal autorizada pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace). A dona da propriedade arrendou a fazenda para a Libra Ligas do Brasil S/A, do grupo Carbomil, que contratou dois intermediários para arregimentar empregados.

"Na verdade encontramos 52 trabalhadores. Um deles, porém, foi embora. Nós fizemos as entrevistas com ele, igual aos outros. Só no dia de receber que ele não apareceu", relata Benedito de Lima e Silva Filho, auditor fiscal que coordenou a ação do grupo móvel, que se estendeu de 14 a 17 de outubro. Os empregados não tinham nenhum vínculo trabalhista e moravam em cidades próximas como Quixeramobim, Quixadá, Banabuiú e Aiuaba.

Resgate na Faz. Tabuleiro: alguns trabalhadores estavam no local há mais de 2 anos (Foto:MTE)

Os funcionários responsáveis pelo desmatamento dormiam em barracas de lona. O pessoal que produzia carvão ficava alojado em casas de alvenaria sem nenhuma estrutura, como sanitários ou luz elétrica. "Alguns estavam no local há mais de dois anos, outros por seis meses", conta Benedito.

Os próprios contratadores da mão-de-obra vendiam a comida. "Localizamos o caderno de anotação dos ´gatos´ (aliciadores) e vimos que a dívida dos trabalhadores não era muito alta", explica o auditor. Dois advogados da empresa acompanharam toda a fiscalização e fizeram o pagamento total dos resgatados (R$ 137 mil), que retornaram às suas cidades de origem.

Um dos "gatos" foi inclusive detido por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) por porte ilegal de arma. Segundo o auditor, o aliciador Francisco Lázaro Ferreira da Silva conduzia uma pistola 7,65mm e não possuía porte de arma. O grupo móvel que esteve na Fazenda Tabuleiro teve a participação de auditores fiscais do Trabalho, de integrantes da PRF e do procurador Carlos Leonardo Holanda Silva, representando o Ministério Público do Trabalho (MPT).

Os fiscais tomaram conhecimento das condições na propriedade por meio de uma reportagem jornalística do "Diário do Nordeste" com denúncias sobre a submissão a condições degradantes na produção de carvão vegetal.

A Carbomil enviou mensagem eletrônica para a Repórter Brasil assumindo que "as providências legais de que trata a legislação trabalhista não estavam sendo observadas pelos empreiteiros contratos". A empresa declara ainda que "ao se inteirar dos fatos, tomou todas as medidas necessárias para a regularização e o pagamento das verbas salariais e rescisórias dos trabalhadores, assumindo toda a responsabilidade. No momento está providenciando a legalização de todos os empregados necessários à produção de carvão, atendendo, assim, às exigências pertinentes à legislação trabalhista".

*Atualizada no início da tarde desta quinta-feira (23)


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3 Comentários

  1. Ana Patrícia Dias Marques

    Sou engenheira florestal e me envergonhode acontecer isso numa área de manejo florestal, hoje, uma alternativa viável para o pequeno produtor e uma forma sustentável de retirar madeira de uma floresta. Trabalho como autônoma fazendo planos e me arrepio só de pensar que um plano que fiz pode ter “patrocinado” trabalho escravo. lamentável, desolador e entristecedor. Como profissionais da área temos que ficar atentos a isso e até recusar trabalho se as condições forem essas

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  2. carolina batista de souza.

    Pois é, já quase náo acredito em áreas de remanejamento florestal. Acho que esses projetos nascem fadados ao mais estrondoso fracasso no que diz respeito ao meio ambiente e o fato de que, nessas áreas, existem relações de trabalho feudalistas é um grande exemplo desse desastre mais amplo.

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  3. pedro velozo pimentel

    obs lamento saber que empresa se escomden atras de terceiros para pratica de trabalho escravo pois nos estamos no senulo 20 (vinte) mais tenho certeza que se o governo dese condicões para o micro propietario de terra produsir seu propio carvão estes tipos de trabalho esmravo não esistião mais o que os orgãos incompetente dos estados so fasem liberacão para grandes fasendeiros que podem pagar propimas obiter liberacão de desmatamento e producão de carvão (desabafo) e e verdadeiro pode envestigar pos so cai peixe grande ok

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