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Lula rejeita críticas a condições de trabalho

Em evento que comemorou os 60 anos da declaração dos direitos humanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a política de imigração das nações ricas e desqualificou a suposição de que o etanol brasileiro utiliza mão-de-obra escrava. Ele disse que o Brasil ocupa um lugar de destaque no cenário internacional e, por isso, incomoda os competidores. Para o presidente, o país avançou no respeito aos direitos humanos, mas os resultados só serão colhidos em 15 ou 20 anos. "Ninguém precisa sair daqui com remorso porque não atingimos a plenitude nas relações com os direitos humanos, porque penso que avançamos demais", disse Lula a uma platéia que reunia os presidentes de grandes companhias, como Wal-Mart, Vale do Rio Doce, Alcoa e Banco Itaú. A visão do empresário Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos e organizador do evento, era diferente. Ao discursar na abertura do seminário minutos antes de Lula, Young afirmou que o "panorama é muito triste". "Não há nada para ter orgulho", enfatizou. Segundo ele, mulheres, negros e deficientes representam apenas 11%, 3,5% e 0,3%, respectivamente, dos quadros executivos das empresas. Lula e Young utilizaram a mesma metáfora para expressar visões distintas sobre o avanço dos direitos humanos no Brasil. "É só ver a quantidade de mulheres que estão aqui e nós percebemos que, na questão de gênero, as mulheres estão ocupando um espaço muito maior", disse o presidente, referindo-se a platéia do evento. Young também pediu aos presentes que mirassem a platéia, mas, segundo ele, estava perceptível que a mulher ainda ocupava um espaço reduzido em posições de destaque nas empresas. A reportagem do Valor verificou que era restrito o número de executivas presentes ao evento. Para Lula, o problema está no exterior. Ele disse que os países ricos são hoje a parte mais "preconceituosa" do mundo porque convivem com o temor da imigração. "É o medo de perder o status quo, de perder o emprego", afirmou. "Isso hoje é um problema sério na Europa e só tem uma solução: ajudar os países pobres". A União Européia aprovou recentemente leis que tornaram a imigração mais rígida. "O trabalho no corte da cana-de-açúcar é penoso, um trabalho que eu, particularmente, não gostaria de fazer, mas não é mais penoso do que as minas de carvão do mundo desenvolvido no século passado", disse Lula ao defender os avanços da agenda social em seu governo. "As condições de trabalho no Brasil ainda não são aquilo que todos nós sonhamos, mas não aceitamos falsas acusações nas coisas que o Brasil faz lá fora". Segundo Lula, a ideologia deixou de ser algo importante para os interesses do capital quando o lucro está garantido. "Ninguém reclama que a China tem um partido único, só o jornal do partido. Por quê? Porque as pessoas lá estão ganhando dinheiro", afirmou. Ele reconheceu, no entanto, que os produtos brasileiros terão uma vantagem adicional frente aos concorrentes se cada um deles tiver ganhos em termos de inclusão social e direitos humanos. Empresários assinaram um documento se comprometendo a promover a inclusão de mulheres, minorias raciais e deficientes no mercado de trabalho, além de esforçarem na eliminação do trabalho escravo na cadeia de fornecedores e clientes. Dos 11 presidentes de empresas que assinaram inicialmente o documento, seis deles são ligados ao setor financeiro. "Foi apenas uma coincidência", disse o presidente do conselho do Instituto Ethos, Oded Grajew, para quem os indicadores sociais servem para reforçar a imagem dos bancos com os clientes. Poucas empresas, principalmente aquelas com atividades ligadas às áreas de manufatura, subscreveram o documento. Durante a tarde, a expectativa da organização era conseguir novas assinaturas. Para […]

Em evento que comemorou os 60 anos da declaração dos direitos humanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a política de imigração das nações ricas e desqualificou a suposição de que o etanol brasileiro utiliza mão-de-obra escrava. Ele disse que o Brasil ocupa um lugar de destaque no cenário internacional e, por isso, incomoda os competidores.

Para o presidente, o país avançou no respeito aos direitos humanos, mas os resultados só serão colhidos em 15 ou 20 anos. "Ninguém precisa sair daqui com remorso porque não atingimos a plenitude nas relações com os direitos humanos, porque penso que avançamos demais", disse Lula a uma platéia que reunia os presidentes de grandes companhias, como Wal-Mart, Vale do Rio Doce, Alcoa e Banco Itaú.

A visão do empresário Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos e organizador do evento, era diferente. Ao discursar na abertura do seminário minutos antes de Lula, Young afirmou que o "panorama é muito triste". "Não há nada para ter orgulho", enfatizou. Segundo ele, mulheres, negros e deficientes representam apenas 11%, 3,5% e 0,3%, respectivamente, dos quadros executivos das empresas.

Lula e Young utilizaram a mesma metáfora para expressar visões distintas sobre o avanço dos direitos humanos no Brasil. "É só ver a quantidade de mulheres que estão aqui e nós percebemos que, na questão de gênero, as mulheres estão ocupando um espaço muito maior", disse o presidente, referindo-se a platéia do evento.

Young também pediu aos presentes que mirassem a platéia, mas, segundo ele, estava perceptível que a mulher ainda ocupava um espaço reduzido em posições de destaque nas empresas. A reportagem do Valor verificou que era restrito o número de executivas presentes ao evento.

Para Lula, o problema está no exterior. Ele disse que os países ricos são hoje a parte mais "preconceituosa" do mundo porque convivem com o temor da imigração. "É o medo de perder o status quo, de perder o emprego", afirmou. "Isso hoje é um problema sério na Europa e só tem uma solução: ajudar os países pobres". A União Européia aprovou recentemente leis que tornaram a imigração mais rígida.

"O trabalho no corte da cana-de-açúcar é penoso, um trabalho que eu, particularmente, não gostaria de fazer, mas não é mais penoso do que as minas de carvão do mundo desenvolvido no século passado", disse Lula ao defender os avanços da agenda social em seu governo. "As condições de trabalho no Brasil ainda não são aquilo que todos nós sonhamos, mas não aceitamos falsas acusações nas coisas que o Brasil faz lá fora".

Segundo Lula, a ideologia deixou de ser algo importante para os interesses do capital quando o lucro está garantido. "Ninguém reclama que a China tem um partido único, só o jornal do partido. Por quê? Porque as pessoas lá estão ganhando dinheiro", afirmou. Ele reconheceu, no entanto, que os produtos brasileiros terão uma vantagem adicional frente aos concorrentes se cada um deles tiver ganhos em termos de inclusão social e direitos humanos.

Empresários assinaram um documento se comprometendo a promover a inclusão de mulheres, minorias raciais e deficientes no mercado de trabalho, além de esforçarem na eliminação do trabalho escravo na cadeia de fornecedores e clientes. Dos 11 presidentes de empresas que assinaram inicialmente o documento, seis deles são ligados ao setor financeiro.

"Foi apenas uma coincidência", disse o presidente do conselho do Instituto Ethos, Oded Grajew, para quem os indicadores sociais servem para reforçar a imagem dos bancos com os clientes. Poucas empresas, principalmente aquelas com atividades ligadas às áreas de manufatura, subscreveram o documento. Durante a tarde, a expectativa da organização era conseguir novas assinaturas.

Para o presidente do moinho J. Macedo, Amarillio Macedo, as grandes empresas podem contribuir para disseminar o respeito aos direitos humanos no país, porque tem acesso a fornecedores e clientes. "Cada dia aperfeiçoamos mais o processo de rastrear o fornecedor. Temos condições de escolher de quem comprar", afirmou.

Para o empresário, garantir boas práticas trabalhistas e ambientais em toda a cadeia produtiva é vantajoso economicamente, porque evita as barreiras aos produtos brasileiros no exterior e combate a concorrência desleal no mercado interno.

O presidente da fabricante de brinquedos Estrela, Carlos Tilkian, afirmou que o ganho econômico para as empresas só virá no médio prazo ao obter trabalhadores mais qualificados e produtos. "É um erro estratégico pensar em responsabilidade social como ganho imediato", disse. Ele ressaltou que o setor de brinquedos ainda enfrenta problemas com desrespeito aos direitos humanos na China, mas disse que as maiores dificuldades hoje são macroeconômicas.

O vice-presidente da farmacêutica Eurofarma, Nélson Mussolini, disse que a preocupação social é uma tema adjacente da empresa. Na visão do executivo, esses indicadores colaboram para agregar valor à sociedade.

Raquel Landim e André Vieira
25/6/2008


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